As eleições atraem cada vez mais ataques cibernéticos que têm como alvo políticos, empresas e o público em geral. Essas atividades vão desde campanhas de espionagem contra partidos políticos até operações que buscam influenciar opiniões, semear insatisfações ou minar processos democráticos.
Este relatório quinzenal oferece uma visão geral dos principais incidentes cibernéticos e das ameaças crescentes relacionadas às eleições gerais de outubro de 2026 no Brasil. Também apresenta recomendações sobre como organizações e indivíduos podem se proteger e mitigar esses riscos.
Principais incidentes
Nesta edição, destacamos os seguintes temas:
Agente de ameaça invade rede de compartilhamento de informações do DHS dos EUA
No dia 30 de junho, o veículo de notícias sobre tecnologia voltado ao setor público dos Estados Unidos, Nextgov/FCW, informou que um agente de ameaça ainda não identificado invadiu a Homeland Security Information Network (HSIN), rede de compartilhamento de informações do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), entre o fim de maio e o início de junho.
Startup israelense de cibersegurança busca expandir operações na América Latina
Segundo o veículo de tecnologia The Next Web, a Dream, startup israelense de cibersegurança cofundada pelo mesmo empresário que criou o NSO Group e o spyware Pegasus, está buscando expandir suas vendas na América Latina, com foco em países e governos da região cujas orientações estejam alinhadas às suas ideologias.
De acordo com a Anistia Internacional, mais de 50 mil números de telefone teriam sido selecionados para monitoramento pelo spyware Pegasus em uma lista de alvos vazada em 2020.
Segundo a investigação da Anistia Internacional, entre os alvos estavam políticos da oposição, jornalistas, defensores de direitos humanos, advogados e outros dissidentes políticos em diversos países ao redor do mundo.
Recomendações de mitigação
- Reforce a proteção de plataformas críticas de colaboração e compartilhamento de informações por meio da implementação de autenticação multifator (MFA), da restrição de privilégios administrativos, do monitoramento de ambientes colaborativos para identificar atividades anômalas e da realização de revisões periódicas dos direitos de acesso, reduzindo o risco de acessos não autorizados ou exposição de dados.
- Implemente medidas abrangentes de proteção contra spyware e ameaças de vigilância, mantendo uma gestão rigorosa de atualizações e correções (patch management), adotando soluções de Endpoint Detection and Response (EDR), restringindo a instalação de softwares não autorizados e monitorando indicadores associados a keyloggers, infostealers, rootkits e outras ferramentas de monitoramento furtivo.
- Aumente a resiliência contra roubo de credenciais e coleta indevida de informações por meio da adoção de controles robustos de autenticação, do monitoramento de credenciais expostas, da redução, sempre que possível, do armazenamento de credenciais em navegadores e da conscientização dos colaboradores sobre os riscos representados por spyware, phishing e softwares maliciosos.
- Estabeleça procedimentos para identificar e responder a atividades de vigilância, influência e coleta de inteligência, monitorando comunicações suspeitas, padrões incomuns de acesso a dados e tentativas de obtenção de informações sensíveis relacionadas a executivos, colaboradores, operações de negócio ou questões ligadas a processos eleitorais.
- Integre as equipes de cibersegurança, comunicação, jurídico e gestão de crises a um programa de preparação para o período eleitoral, realizando exercícios conjuntos, revisando procedimentos de escalonamento, validando playbooks de resposta e garantindo que a organização esteja preparada para responder a incidentes cibernéticos, operações de influência ou atividades de vigilância não autorizadas que possam impactar as operações do negócio.
Agente de ameaça invade rede de compartilhamento de informações do DHS dos EUA
Investigadores do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) estão apurando a invasão à Homeland Security Information Network (HSIN). Até o momento, não há informações suficientes para identificar o agente de ameaça responsável nem para determinar se documentos foram exfiltrados do sistema. O Escritório de Inteligência e Análise (Office of Intelligence and Analysis) do DHS também está conduzindo uma avaliação dos impactos do incidente.
Segundo a reportagem do Nextgov/FCW, a invasão pode ter exposto dados sensíveis, embora não classificados, compartilhados entre parceiros dos governos federal, estadual e local, além de organizações do setor privado.
O agente de ameaça teve como alvo servidores da HSIN e um sistema Microsoft SharePoint. A HSIN oferece suporte à comunicação em tempo real, ao compartilhamento de documentos, ao envio de alertas, à realização de webconferências e ao gerenciamento de incidentes para usuários autorizados dos governos federal, estadual, local, territorial e tribal, além de parceiros internacionais e do setor privado. A plataforma também é utilizada para o compartilhamento de informações sobre pessoas de interesse e possíveis ameaças durante emergências e eventos.
Impacto potencial: Agentes de ameaça podem tentar comprometer sistemas governamentais críticos durante eventos de grande relevância, como as próximas eleições brasileiras, com o objetivo de obter acesso a dados sensíveis ou interromper o compartilhamento de informações críticas entre órgãos dos governos federal e estadual e parceiros do setor privado.
Startup israelense de cibersegurança busca expandir atuação na América Latina
O veículo de tecnologia The Next Web informou que a Dream, startup israelense de cibersegurança com foco em inteligência artificial, está expandindo sua atuação na América Latina, com atenção especial a governos da região alinhados aos Estados Unidos. Um dos cofundadores da Dream, Shalev Hulio, também foi fundador do NSO Group, empresa israelense de vigilância responsável pela comercialização do spyware Pegasus, utilizado por governos para monitorar opositores políticos, jornalistas e ativistas. A Dream, no entanto, afirma que seus produtos têm finalidade exclusivamente defensiva e que oferece aos governos plataformas baseadas em inteligência artificial para identificar e corrigir vulnerabilidades.
Segundo o The Next Web, ativistas na América Latina continuam preocupados em razão de experiências anteriores com o uso de spyware na região, bem como da mudança de orientação política para a direita em governos como os da Argentina e da Colômbia nos últimos anos. Esse cenário pode tornar esses governos mais receptivos à contratação de empresas desse setor. A demanda por essas soluções também está em crescimento, já que a América Latina continua sendo a região com o maior crescimento de ataques cibernéticos no mundo, com aumento de aproximadamente 25% ao ano e expansão dos investimentos em cibersegurança como resposta a esse cenário.
Impacto potencial: Embora os casos de uso declarados para os produtos da Dream sejam significativamente diferentes dos do NSO Group, esses desenvolvimentos reacendem preocupações já existentes na região em relação à vigilância governamental e ao monitoramento de atores da sociedade civil críticos aos governos. Esses grupos, assim como a população em geral, devem permanecer atentos a esse tipo de ameaça, especialmente em momentos de maior sensibilidade, como o período que antecede as eleições brasileiras de outubro.
Em foco: Spyware
Spyware é um tipo de malware desenvolvido para coletar informações de um dispositivo de forma oculta e enviá-las a terceiros sem o conhecimento ou consentimento do usuário. Esse tipo de ameaça costuma ser utilizado para obter informações sensíveis, como senhas, histórico de navegação, dados financeiros, mensagens, dados de localização e outras informações pessoais.
Os tipos mais comuns de spyware incluem:
- Keyloggers – registram as teclas digitadas para capturar nomes de usuário, senhas e outras credenciais.
- Infostealers – extraem credenciais, cookies, arquivos sensíveis e outras informações armazenadas no dispositivo.
- Adware – monitora o comportamento de navegação para exibir anúncios direcionados ao usuário.
- Rootkits – concedem acesso privilegiado e oculto ao dispositivo, permitindo que outras atividades maliciosas sejam executadas sem detecção.
- Stalkerware – monitora comunicações, localização e atividades do usuário, geralmente sem seu conhecimento.
- Spyware comercial (ex.: Pegasus) – ferramentas altamente sofisticadas utilizadas para vigilância, monitoramento e espionagem.
Proteção eleitoral no Brasil: treinamento e suporte em cibersegurança
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